18.11.12

Comemorações dos 70 anos do Curso de Serviço Social do ISSSC/ISMT em revista

O nº 17 da Revista Interações do Instituto Superior Miguel Torga é dedicado às comemorações dos 70 anos do curso de Serviço Social (ISSSC/ISMT), realizadas em 2007. 

http://www.interacoes-ismt.com/index.php/revista/issue/view/20

Novo Livro: Serviço Social na Saúde

SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE
Maria Irene Carvalho (ORG.) 
Pactor, LIDEL

Conteúdos:

Prefácio - Helena Mouro
Prefácio - Francisco Branco

Introdução - Maria Irene de Carvalho

1. O Serviço Social nos Cuidados de Saúde Primários: Contexto, Perspetivas e Desafios
Francisco Branco e Maria Farçadas

2. Serviço Social e Qualidade em Contexto Hospitalar
Maria Augusta Lopes, Ana Rosa Ribeiro, Inês Espírito Santo, Fátima Ferreira e Luís Frederico

3. O Serviço Social de Saúde e o Planeamento da Alta para a Continuidade de Cuidados na Comunidade
Dolors Colom Masfret

4. Cuidados Continuados Integrados e Serviço Social
Maria Irene de Carvalho

5. Serviço Social em Cuidados Paliativos e em Fim de Vida
Malcolm Payne

6. Envelhecimento, Qualidade de Vida e Mediação Social Profissional na Saúde
Helena Neves Almeida

7. A Intervenção do Serviço Social na Saúde com Famílias e em Redes de Suporte Social
Sónia Guadalupe

8. Serviço Social na Área da Saúde Mental: Princípios, Modelos e Práticas
Isabel Fazenda

9. Promoção da Saúde em Meio Escolar no Quadro das Políticas Públicas Saudáveis
Teresa Silva

10. Saúde e Serviço Social no Brasil: Desafios Atuais
Maria Inês Souza Bravo

http://www.fca.pt/lidel_index2.html

13.11.12

Artigo a espreitar

"ARS Algarve reforça humanização da saúde com apoio social e psicológico à população serrana". Artigo sobre o trabalho de uma equipa de saúde: assistente social de uma UCC e psicóloga de uma URAP.

Apontar o dedo às famílias é a via mais fácil


"Governo vai responsabilizar famílias que abandonem idosos em lares ou hospitais"



Esta notícia tem diversas dimensões muito preocupantes.
Pensemos alto: a sociedade que todos ajudamos a construir tem permitido criar condições de conciliação da vida familiar com o cuidado às gerações mais velhas? Eu responderia um redondo "não!".

Andamos todos a tentar encontrar culpados, a apontar o dedo, a expiar a culpa. A "família", esse sistema a que nunca apertámos a mão porque é uma construção emergente da interacção dos seus membros, tem sido um amplo saco de pancada, um alvo para apontar o dedo. E que apoia a família a apoiar? Devemos preocupar-nos em apontar o dedo ou em encontrar soluções? Guy Ausloos chamou-me a atenção para que a palavra CULPABILIDADE encerrava em si um conceito bem mais interessante do que o de CULPA... a (H)ABILIDADE. Estaremos dispostos a potenciar as nossa habilidades para encontrar soluções?

Num contexto social onde as pessoas têm direito a 15 dias por ano para cuidar dos seus doentes/dependentes, o que é uma "fartura" sobretudo quando o nível de dependência é elevado. Onde as pessoas são penalizadas fortemente se optarem por trabalhar a meio tempo ou por se reformarem antes dos 65 anos, opção ora suspensa... Onde as respostas sociais são provavelmente cada vez menos acessíveis face ao rendimento disponível das famílias. Onde apenas uma medida, que tenho de aplaudir, foi tomada neste sentido, embora  ainda não esteja devidamente consolidada a nível nacional, refiro-me ao internamento por exaustão familiar da RNCCI. Afinal quem são os culpados?

Fiz recentemente um estudo com uma aluna e uma colega (http://www.aps.pt/vii_congresso/papers/finais/PAP1067_ed.pdf) onde se percebeu que os adultos de hoje, se confrontados com a necessidade de cuidar dos seus pais, respondem, numa maioria esmagadora, que gostariam de cuidar deles informalmente. Mas será isto possível? Haverá condições para que possam cuidar? Se pensarmos que aos 65 anos, as suas mães terão 92 anos em média, idade que ultrapassa largamente a esperança média de vida, quando estivermos mais disponíveis para cuidar, já não existem as pessoas que gostaríamos de cuidar. Afinal, onde está o encontro geracional de que tanto falamos?

Depois há outra questão raramente referida. Quando há recusa no cuidar ou na comparticipação de uma resposta social por parte de um filho... alguém já pensou na história que pode estar por detrás de uma destas decisões? Alguém já pensou que na base de um corte relacional pode haver muita informação que não se pretende partilhar? Alguém já pensou que não tem direito a apontar o dedo sem compreender as razões? Alguém terá direito a impor o apoio, supostamente recíproco, a um(a) filho(a) que foi antes maltratado, negligenciado ou abandonado, por exemplo?

Claro que também há famílias onde os maus tratos existem. Não recuso esta realidade. Essas famílias têm de ser responsabilizadas e acompanhadas. Mas será este o problema de fundo? Não haverá outros?

Talvez seja mais fácil apontar o dedo e seguir em frente, como se os problemas ficassem resolvidos.
Ou os problemas que se pretendem resolver são outros? Os das instituições que assim passarão a ver comparticipadas ou pagas as camas ocupadas... São estes os problemas a resolver? São estas as nossas prioridades?

6.11.12

farta de ditados liberais ou da canção do bandido

Ditados liberais
1. Os privados fazem gestão mais eficiente.
2. A educação privada é mais barata.
3. A acção social do sector solidário cumpre funções públicas que ficam mais baratas ao Estado.

Quanto ao nº 1 há mil e um exemplos a nível nacional e internacional que apontam exactamente no sentido oposto. Veja-se o caso inglês de privatização dos transportes. Já não falando das nossas exemplares PPP e privatizações em que ficámos a "ganhar" bónus nos custos acrescidos da electricidade, por exemplo, a bem do contentamento dos accionistas da empresa então pública. O argumento competitivo, geralmente associado, é também uma falácia quando os sectores privatizados são de monopólio ou quasi-monopólio, em que as entidades fiscalizadoras e reguladoras são uma verdadeira fantochada.

Quanto ao nº 2, atente-se ao último estudo que aponta para que os colégios de gestão privada e financiamento público ficam mais baratos por aluno do que na escola pública. Claro, claro que ficam. O sistema é muito recente, o corpo docente e não-docente é jovem, com salários mais baixos, as "tabelas remuneratórias" são o que bem entenderem, os "acordos" entre empregadores e empregados para baixar salários são o que bem entenderem, etc., etc. Como não há-de ser mais barato face à escola pública, onde os professores, geralmente de carreira e com experiência acumulada, são remunerados com direitos consignados ao trabalho? Direitos, sim. Ainda se lembram?

Quanto ao nº 3 é uma obviedade. Mas será tal asserção justa e digna? Pois bem, num sistema em que as remunerações tabeladas do pessoal técnico são muito abaixo, mas muito abaixo, das correspondentes do sector público, não será difícil assumir que este sistema sai bem mais barato... Claro, claro que sai. Mas é vergonhoso. Principalmente quando, num sistema claramente desregulado, nem as tabelas, bem mais abaixo do sector público, são cumpridas. Não quero generalizar (porque há instituições sérias e cumpridoras neste sector!), mas há muitos casos em que os trabalhadores são frequentemente explorados, aceitando ofertas salariais indignas para a função que ocupam. E, nestes casos, o Estado fiscaliza? O Estado regula? Claro, claro que não!

Pois, é tudo mais eficiente, barato e coisa a tal... Pois sim... Pois bem...

25.10.12

Fernanda Rodrigues, Presidente da APSS, fez hoje uma intervenção no Fórum da TSF sobre a o anúncio do corte das prestações sociais, fazendo um apelo ao Sr. Ministro e ao Governo (minuto 28,45 da 2ª parte) para não ficarmos no grau zero da consciência social e que decida a favor dos mais vulneráveis.

http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=2846472&tag=F%F3rum%20TSF

16.10.12

Notícias



http://www.rcmpharma.com/actualidade/politica-de-saude/16-10-12/assistentes-sociais-com-cada-vez-mais-pedidos-de-ajuda-nos-ho


Assistentes sociais com cada vez mais pedidos de ajuda nos hospitais

16/10/2012 - 14:52

Os assistentes sociais recebem cada vez mais pedidos de ajuda em serviços como hospitais e universidades, alertou a associação que representa aqueles profissionais, temendo que o reforço de verbas para a acção social seja insuficiente, avança a agência Lusa.

O Governo apresentou segunda-feira a sua proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano, que prevê um reforço de 17 milhões de euros para a acção social, que assim passará a ter 1.687,49 milhões de euros disponíveis.

No entanto, a presidente da Associação dos Profissionais de Serviço Social, Fernanda Rodrigues, alertou esta terça-feira para o facto de esse aumento poder não ser suficiente, tendo em conta a situação actual.

"Os assistentes sociais que estão na linha da frente estão sobrecarregados. Assistem diariamente a inúmeros casos de quem está a passar por muito sofrimento. As informações que nos chegam de todo o país chamam a atenção para uma realidade que parecia impensável há tão pouco tempo”, lembrou.

Para a presidente, só se conseguirá perceber se o orçamento para a acção social será suficiente quando se conhecer o universo de pessoas abrangido pelos serviços.

“Espero que não estejamos perante um orçamento maior que depois será dividido por um número infinitamente maior de pessoas. É preciso saber qual a proporcionalidade entre o aumento de recursos e as carências”, salientou Fernanda Rodrigues, lembrando as previsões que apontam para um agravamento da crise económica e o aumento do desemprego.

Nas Universidades, os serviços de acção social são diariamente visitados por estudantes em dificuldades. Nos hospitais, o trabalho dos assistentes sociais também parece não ter fim: “Nos serviços de saúde, (os técnicos) estão preocupados com os inúmeros casos de pessoas que não conseguem garantir transporte ou comprar medicamentos. Os assistentes sociais reportam situações gravosas daquilo que parecia não ter rosto, que são os números da pobreza, mas que nestes serviços têm. É um problema generalizado”.

A situação também é preocupante em muitas instituições sociais que “estão a ficar empobrecidas e sem capacidade para dar resposta”: “Todas as instituições que têm porta aberta, e a mantêm, reportam situações de grande gravidade”, garantiu.

Fernanda Rodrigues alertou ainda que “o preço das não políticas sociais é muito mais elevado do que o preço das políticas sociais” e questionou-se como conseguem sobreviver as "cerca de 300 mil pessoas que têm rendimento zero”. 

 http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2832566

Assistentes sociais com cada vez mais pedidos de ajuda

Hoje
Assistentes sociais com cada vez mais pedidos de ajuda
Os assistentes sociais recebem cada vez mais pedidos de ajuda em serviços como hospitais e universidades, alertou a associação que representa aqueles profissionais, temendo que o reforço de verbas para a ação social seja insuficiente.
O Governo apresentou segunda-feira a sua proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano, que prevê um reforço de 17 milhões de euros para a ação social, que assim passará a ter 1.687,49 milhões de euros disponíveis.
No entanto, a presidente da Associação dos Profissionais de Serviço Social, Fernanda Rodrigues, alertou hoje para o facto de esse aumento poder não ser suficiente, tendo em conta a situação atual.
"Os assistentes sociais que estão na linha da frente estão sobrecarregados. Assistem diariamente a inúmeros casos de quem está a passar por muito sofrimento. As informações que nos chegam de todo o país chamam a atenção para uma realidade que parecia impensável há tão pouco tempo", lembrou.
Para a presidente, só se conseguirá perceber se o orçamento para a ação social será suficiente quando se conhecer o universo de pessoas abrangido pelos serviços.
"Espero que não estejamos perante um orçamento maior que depois será dividido por um número infinitamente maior de pessoas. É preciso saber qual a proporcionalidade entre o aumento de recursos e as carências", salientou Fernanda Rodrigues, lembrando as previsões que apontam para um agravamento da crise económica e o aumento do desemprego.
Nas Universidades, os serviços de ação social são diariamente visitados por estudantes em dificuldades. Nos hospitais, o trabalho dos assistentes sociais também parece não ter fim: "Nos serviços de saúde, (os técnicos) estão preocupados com os inumeros casos de pessoas que não conseguem garantir transporte ou comprar medicamentos. Os assistentes sociais reportam situações gravosas daquilo que parecia não ter rosto, que são os números da pobreza, mas que nestes serviços têm. É um problema generalizado".
A situação também é preocupante em muitas instituições sociais que "estão a ficar empobrecidas e sem capacidade para dar resposta": "Todas as instituições que têm porta aberta, e a mantêm, reportam situações de grande gravidade", garantiu.
Fernanda Rodrigues alertou ainda que "o preço das não políticas sociais é muito mais elevado do que o preço das políticas sociais" e questionou-se como conseguem sobreviver as "cerca de 300 mil pessoas que têm rendimento zero".

16.7.12

Ecos de Estocolmo

Éramos 10 as assistentes sociais portuguesas (no feminino) por Estocolmo. Apesar de alguns assistentes sociais (no masculino) também estarem na lista de participantes, não os encontrei por lá. Quem não foi tem agora a oportunidade de assistir às sessões plenárias em vídeo. Algumas são muito interessantes, outras fizeram-me acordar cedo demais para ir ouvi-las e fiquei a pensar nas horas que não descansei... Bem, mas agora é possível serem vocês a "julgar". Basta seguir a ligação.


http://swsd2012.creo.tv/sunday

Fernanda Rodrigues no 20º aniversário da AIDSS

19 de Julho de 2012
Fernanda Rodrigues, presidente da APSS, apresenta a comunicação "Serviço Social, Políticas Sociais e Ordem Profissional – Momento Actual" na conferência comemorativa do 20º aniversário da AIDSS. Participe!


http://www.aidssp.com/

Cristina Martins é a nova Presidente da IFSW-Europe

É com muita honra que comunico que a nova presidente do comité executivo da Federação Internacional dos Assistentes Sociais é a nossa colega Cristina Martins.

A foto da delegação portuguesa foi tirada na General Meeting da IFSW da IFSW no dia 7 de Julho de 2012 em Estocolmo.

Entrevista de Bruto da Costa a ouvir com atenção

http://www.rtp.pt/antena1/?t=Entrevista-a-Bruto-da-Costa.rtp&article=5368&visual=11&tm=16&headline=13

Antena 1, 16.07.2012

14.5.12

"com naturalidade"

O Primeiro Ministro disse ontem que via esta situação "com naturalidade". Poderia manifestar, sei lá, preocupação. Mas não, vê a "situação com naturalidade". Pois bem, enquanto virmos a pobreza como algo "natural", naturalmente não agiremos para que esta desigualdade estrutural deixe de persistir e de engrossar.


http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---economia/rsi-beneficiarios-rendimento-minimo-agencia-financeira/1348047-5797.html

CRISE, oportunidade e risco

Esta máxima, que faz parte do jargão sistémico, chegou-me pela via da formação em terapias e intervenções sistémicas, e sempre me fez sentido pensar a crise como oportunidade (de mudança) e risco (de impasse), como diria Salvador Minuchin, entre outros. Gosto de chavões. Ou melhor, gosto de pensar os chavões. São quase sempre muito interessantes, mas frequentemente redundam no esvaziamento do seu sentido e da sua fundamentação quando extrapolados de forma errónea.

Apesar de não me surpreender em (quase) nada, talvez apenas pela enorme falta de sentido de Estado, sensibilidade e também de compaixão, como a caracteriza Pedro Adão e Silva, a frase de Pedro Passos Coelho sobre o desemprego como oportunidade é de uma atroz falta de crítica típica do político que usa uma retórica vazia de conteúdo com o fito na legitimação da sua acção. Ironizava eu, pensando que, de facto, é uma oportunidade... de ficar excluído de um sistema central da vida em sociedade e de experimentar a pobreza.

Pensemos brevemente no sentido da máxima, que se reporta a crises em sistemas. A crise num sistema deve obrigar a mudança nesse sistema, para que este se transforme, daí o sentido de oportunidade. Mas só assim faz sentido. O ponto nodal da crise que vivemos sabemos onde está. sabemos, não sabemos? É, assim, nesse sistema que a mudança tem operar-se. Colocar a questão como a colocou não faz qualquer sentido. Os sistemas micro que vivem as consequências da crise podem fazer parte dessa mudança, sim, claro, como partes do sistema, movimentando-se colectivamente para a sua mudança. Mas neste caso, quando as mudanças operadas não são verdadeiras mudanças (de tipo II ou de 2ª ordem, como defende a teoria dos tipos lógicos), mas sim ajustes (de tipo I ou de 1ª ordem) subjugados ao poder do ponto nodal da crise, também faz sentido sentirmo-nos mais oprimidos (em impasse).

A máxima aplicada a indivíduos só faz sentido quando a crise é perspectivada como pessoal. Sabemos todos que esta crise não é um problema individual e que o desemprego não é um problema individual. Ou será que não sabemos?

2.5.12

Da desORDEM

Eis mais um elemento que teremos de analisar profundamente neste longo percurso de luta para que os assistentes sociais portugueses tenham uma Ordem Profissional. O documento, que nos apanhou de surpresa, apesar dos contactos estreitos com o governo e com os deputados da maioria, encontra-se em consulta pública. A APSS reúne este fim-de-semana para discutir a situação perante este novo cenário.


30.4.12

inquietações

Penso muito nesta ideia, mas há quem a tenha transmitido de uma forma inequívoca: 
"A pobreza força o homem livre a agir como escravo."
Hannah Arendt
A Condição Humana


A frase foi evocada por um assistente social meu amigo numa longa conversa sobre o estado de coisas.

CES: 16 de maio


Seminário
A segunda geração de políticas de inserção pelo trabalho para beneficiários de programas de rendimento mínimo na Europa