31.1.07

Quando valores mais altos se levantam

É uma questão de hierarquias de valores... no contexto dos governos democráticos na actualidade... Já nem para as aparências os valores humanos aparecem no topo das prioridades!... Para onde caminhamos?

10 comentários:

joaquim disse...

Não estou de acordo. Portugal ou cortava relações com todos os países que violam os direitos humanos, ou então, se faz parte do jogo internacional, tem de manter relações com esses países, mesmo que os direitos humanos não sejam o expoente. Não sejamos politicamente correctos.
Por outro lado vejo muita intelegentsia da àrea das ciências sociais ainda a perpetuarem o comunismo como o expoente dos direitos humanos, nomeadamente também na América Latina, Hugo Chavez, etc.
Os Direitos Humanos são afirmados nacionalmente primeiro e Portugal tem uma boa tradição, pelo menos legal, e depois do 25 de Abril. Internacionalmente temos de ir mudando as consciências...agora que 10 milhões vão abrir guerra a mais de um bilião, francamente sejamos realistas porque utopias sem conhecer a realidade é suicidio!
Ainda me lembro dos gloriosos URSS days.

Enfim divergências, ainda bem que estamos em democracia, tem destas coisas. Cada um fica com a sua opinião.

S Guadalupe disse...

Bem, nem numa ponta nem na outra...
e independentemente de tudo isso...

Mas... uma coisa é jogar o jogo, outra coisa é assumir que se joga o jogo, seja com que "peças" for, desde que o objectivo se cumpra. A isso, chamo "prostituição" de valores. E sinto-me envergonhada por isso!

joaquim disse...

Continuo a dizer que para isso só um governo que corte relações, senão terá de manter uma cintura diplomátuca e não estou a ver nenhum partido em Portugal a a fazer isso depois de chegar ao poder.
Por outro lado terá de concordar com o Bush, porque foi coerente, invadiu um país que tinha uma ditadura e não cumria os direitos humanos, de que é exemplo, entre muitos,o massacre Curdo, enfim tentando um horizonte democrático que como se vê é dificil, primcipalmente quando imposto.
O mundo tem um caminho, a enfrentar, de grande sofrimento, vejamos este século com as alterações climáticas. tal como após a 2ª guerra, só o sofrimento permitirá mais um grau de consciência e evolução, é da natureza humana, reage aos impulsos externos, transformando-se aqui. O 50 anos de paz que a Europa, no global (excepção da jugoslávia, mas tem explicação...), tem vivido, resulta do trauma da maior matança mundial. Que agora, nas novas gerações vai desaparecendo esse memorial e é perigoso.

S Guadalupe disse...

Vamos por partes:
- é totalmente diferente discordar de uma ditadura e decidir invadir um país como entidade "salvadora" e supostamente desejada como tal...
- é totalmente diferente ter relações diplomáticas e comerciais com países (seja ele qual for) de "prostituir" os seus valores para ter relações comerciais com esses países.

Não vejo como necessário o corte de relações, embora considere que não ficaria mal a qualquer país democrático exercer esse tipo de pressão sobre outros regimes que não respeitam os seus povos.

Nós até devolvemos Macau à China, pelo que poderíamos aproveitar isso para sermos interlocutores priveligiados em diversas áreas.

Agora, vejo com péssimos olhos evitar falar-se de algo fundamental que nos divide apenas e só para conseguir melhores condições comerciais. Isso tem nomes muito feios.

João Pedro Serrão disse...

O presidente Bush à boa maneira americana, decide derrubar um regime ditatorial quando anos antes invade o Kuwait aliando-se ao regime que agora quis derrubar.
Também no caso do Afeganistão o mesmo se passou, pois o terrível terrorista que agora querem matar, foi ele mesmo treinado pela CIA no tempo em que a União Soviética estava instalada naquele país.
Está mais do que na altura dos EUA perceberem que não são os policias do mundo.
Confesso que fico envergonhado com esta nossa subserviência ao país do tio Sam.

S Guadalupe disse...

As grandes potências afirmam-se porque todos deixam... e dominam porque dá jeito à ordem internacional. Andamos todos a baixar-nos demasiados e algo fica sempre à mostra...

Mas, Pedro... erro na leitura: o Kuwait foi invadido pelo Iraque e defendido pela UN. Neste caso não há incoerência, mas prepotência.

O Bush deve estar convencido que veio com uma missão ao mundo. Mas o seu povo é que sabe o que quer para ele próprio. Se o elege... Há muitas américas na américa.

O problema é que nós elegemos um governo que é formado por um partido com valores que são travestidos de quando em vez... quando dá jeito. É pena!

joaquim disse...

Francamente, estas situações das visitas á China, ou a outros países similares, visitas oficiais, já recorrentes em vários governos, e nessa sltura aparecerem a bradar que o governo ou 1º ministro, ou o Presidente da Republica sobre os direitos humanos, é um bocado simplista e redutor, nomeadamente adjectivando governos e partidos sobre direitos morais a discernir sobre os Direitos Humanos.
A avaliação, á falta de melhor, é feita apreciando se o homem fala ou não sobre os direitos humanos, esquisito.
O PCP foi á China, o PSD, o CDS, que eu melembre e ninguém falou dos direitos humanos, se calhar o gigantismo subjugou-os.
Todos sabemos que a China viola os direitos humanos. Fazer da visita do 1º ministro este cvalo de batalha sinceramente, parece-me muito pouco em termos de posicionamento ideológico.
Na verdade pode discordar do partido que governa, terá matéria, eu próprio que sou militante (sem medo), também discordo de algumas matérias governativas, mas é muito pobre, repito, muito pobre, partir deste asunto e chamar travestis (sem menosprezo para os ditos.
Esperava mais.
Talvez seja por isso que as sondagens(que valem o que valem, mas lá vão acertando...) continuem a dar a maioria...os argumentos têm de ser mais substantivos e baseados na prática política nacional, não numa evanescente viagem, entre muitas, ampliada pelos media sempre à cata de qualquer incidente.
Governar qualquer coisa é dificil, até uma casa, um país é bem mais complexo, talvez de vez em quando fosse bom colocarmo-nos ou imaginarmos noutros lugares mas sem sofismas.

S Guadalupe disse...

Para esclarecer... a minha questão não é "falar ou não falar" sobre o assunto, mas antes preferir não falar assumidamente sobre algo que é delicado para não estragar o negócio.

Penso isto deste e de todos os governos, independentemente de quem o assume.

Acho péssimo subjugar valores que devem vir acima de tudo, remetendo-os para o silêncio quando estão em causa negócios.

Eu, por cá, na minha vida, tento negociar com pessoas de bem!

joaquim disse...

Bom eu também, mas nem sempre acontece, ou será que conhece tão profundamente as pessoas?
Cada um está cheio de lados obscuros, e às vezes, como diz o povo, a cara não condiz com o coração! Enfim, polémicas...

S Guadalupe disse...

sem dúvida...

eu gosto sempre de uma boa polémica e jé percebi que o Joaquim também... ;)