27.4.07

Será...

continuar a acreditar que esta profissão pode fazer a diferença?

19 comentários:

Breaking the Waves disse...

Olá!

Continuo a acreditar que sim! É a única maneira de conseguir continuar o caminho enquanto Assistente Social!
Mas sinceramente... o desânimo é por vezes superior à vontade e à garra!!

Linkei o Insistente lá no meu "canto" espero que não te importes!

Bom fim de semana

Oligarcília - Insistente Social disse...

Ás vezes é dificil continuar a acreditar. Sempre que vejo a incapacidade que algumas de nós têm de analisar os problemas sociais com que trabalham reduzindo-os à mera ausência de recursos, confesso que me revolta a alma. A reportagem que recentemente deram do Hospital Amadora-Sintra, sobre o Serviço Social da instituição, é um exemplo disso.
Mas, também acredito que nem todas as profissionais assim sejam. Como diria Kurz " o maior modelo de sucesso neoliberal consiste na universalização da cozinha dos pobres ". ou traduzido para Português, o Banco Alimentar .

S Guadalupe disse...

Breaking the waves... percebo o desânimo de forma transitória, nunca definitiva, se assim for, mais vale desistir e dar lugar a outros. Quanto ao link, é uma honra para mim...

S Guadalupe disse...

Oligarcília,
de há uns anos para cá, tenho-me tornado minimal repititiva com os meus alunos... tenho afirmado e reafirmado que não quero ouvir nenhum assistente social por mim formado a dizer "não há recursos". Considero essa afirmação uma negação do próprio actor social. Enquanto assistente social (com formação que me garante determinadas competências) SOU UM RECURSO!

Acredito que para alguns esta afirmação faça sentido, mas espero que assim o não seja para a maioria.

Breaking the Waves disse...

Às vezes (muitas) sinto-me uma "alien" quando tento explicar às pessoas que "sou um recurso" que a história do não ter recursos é uma falsa questão... costumo dizer que "me ponho ao serviço dos outros com os meus conhecimentos e ferramentas para alcançar as respostas"...
É certo que provavelmente não saberei explicar claramente, mas é para mim tão óbvio que fico "fula", principalmente ao ouvir os meus colegas com essa conversa! Na saúde então é gritante...
Sinto muitas vezes um desnorte profissional... É este o meu desanimo... mas não é definitivo, isso não, quando for vou embora da profissão!

AJ disse...

OK, então se a história da "falta de recursos" é uma falsa questão, e se eu próprio sou um recurso, isso signfica que sempre que tiver de dizer a alguém que não há respostas na área do apoio domiciliário a idosos, ou de instituições para receberem crianças de risco e com deficiência, deverei dizer o quê?

Anónimo disse...

Olhe AJ, talvez se começar a analisar a realidade em que trabalha, qualitativamente e quantitativamente, possa ter alguma palavra nas concepções das Politicas Sociais e em simultâneo, na instituição onde trabalha, seja ela qual for,( Saúde , Seg Social ou IPSS), direccionando-a para o assumir de novos projectos.
Agora, ficar-se pela lamúria, parece-me muito pobre. Tão pobre quanto os utentes, que diáriamente se atendem, a metro, e que quando nos questionam, se chegam a essa fase, responde-se também, lacónicamente "não há recursos", ou a variante, " não refile que eles fazem muito, mesmo que o serviço seja de má qualidade".
Enfim... desgostem-se e lamuriem-se com a acomodação....

Joaquim disse...

Colegas,

A lamúria, a queixa, o baixar de braços é algo que não caber nem no vocabulário, nem na acção do Assistente Social. Recursos, é como a Utopia, desde o inicio da profissão que escasseiam, e se por vezes, por tempos, eles apareçem, outros tempos exigem novos recursos e isto é um fenómeno social total.
Temos sempre de ser positivos ser parvos e perceber que esta àrea não se constrói sem luta.
É doloroso, dá vontade de desistir, mas caramba, se resistimos ao fascismo, se não fomos na onda comunista para os quais serviço social não existia porque já havia pobreza, se continuamos a existir e a pensar apesar dos neocons, talvez estejamos como Bruto da Costa diz, presos na subtil abundância da sociedade vazia, onde a pobreza é antes tudo também vazio de nós, começemos por aí e talvez não iremos mal...

joaquim disse...

Quando dizia ser positivos, corrigo, "sem ser parvos".
peço desculpa

S Guadalupe disse...

AJ, de facto há recursos que escasseiam ou que não existem da forma como gostaríamos, etc... mas enquanto existir um recurso humano como o assistente social... se este (o da inexistência do recurso x ou y) for um diagnóstico sustentado... terás de mobilizar-te (e não só...) para que o dito recurso esteja disponível.

O que tens de dizer?
talvez se começares pela identificação do recurso x ou y, facilite e te seja também mais útil. Pelo menos, o exercício de identificação de necessidades foi já efectuado. Agora, ficas por aí???
Se ficas, é pena e talvez seja urgente repensar a postura.

Anónimo disse...

Obviamente Sónia e Joaquim expressaram muito bem a questão da "falsa questão". É óbvio que faltam recursos, mas quando eu digo que é uma falsa questão é no sentido de que não me posso ficar por aí... dizer, temos pena não há recursos e pronto é este o país que temos!
E se me é permitido... já agora, gostava de deixar de assistir "à chapa 5", ou seja... não tem nada a ver, mas como só tenho banhinho para lhe dar é mesmo isso que vai ter, quer queira quer não!!!

E pronto... não gosto de comentar em blogs de SS e por hoje acho que já fui além do que me permito expor!

Não comento em blogs, mas não desito de lutar, mesmo que isso signifique remar contra a maré!

Bom dia do trabalhador

S Guadalupe disse...

Caro(a) anónimo(a), se esta questão colocou incómodo, então atingiu o seu fim: abrir discussão, mesmo que esta seja restrita a uns quantos que arriscam em escrever e transmitir o seu posicionamento.

Se o(a) obrigou a escrever, foi muito bom! É sempre com muito agrado que aqui recebo os que querem trocar ideias. Ainda por cima, boas ideias e que fazem parte da minha luta diária (embora eu esteja num lado específico desta luta, no papel de quem tenta ensinar, ou melhor, pensar!).

Observar a insistência na "chapa 5", profundamente acrítica é penoso! E não será por esse caminho que ninguém fará a diferença...

O dia do trabalhador é um dia muito adequado à necessária reflexão sobre esta e outras questões. Trabalhar não nos dá apenas um conjunto de direitos (pelos quuais continuamente se luta), também nos exige um conjunto de deveres. Ninguém se deve esquecer dos deveres (e direitos) do assistente social!

Oligarcília - Insistente Social disse...

Ter-se começado a discutir é excelente, mesmo que seja restricta a discussão.
A falta de recursos agita-nos e sentimo-nos perdidos no caminho a seguir. Ás vezes preferimos o murmúrio desencantado, esquecemo-nos das questões crueis e perversas
1. Se houvessem recursos suficientes acabaria o Serviço Social e passaríamos a ter voluntários( que já temos)com habilidade para as causas sociais?
2.Num presente tomado como fatalidade, o dar ao pobre um Serviço Social pobre é uma mera consequência da falta de prestígio da profissão?
3. Profissão subalternizada pelo " desejo de ajudar e nas boas intensões expressas", esquecemo-nos de analisar a realidade incapazes que somos, de captar as tendências e possibilidades contidas nessa mesma realidade ?

É um desafio, cara colega, para novos posts e muitos comentários que fomentem a discussão...

António Duarte disse...

Atenção que o Serviço Social não é só para os pobres...

Pedro Lopes disse...

Para se promover uma advocacia social, nós (As) somos o "recurso" que o utente precisa.

Para o "empowerment" do utente, nós bastamos.

Para os encaminhamentos, temos de nos singir aos recursos existentes, mas se há uma coisa pela qual a nossa profissão se tem batido, é por uma afirmação enquanto ciência social, logo temos de investigar.

Quem melhor do que nós, que estamos no terreno e sentimos, vemos e ouvimos, o quotidiano duma grande franja da nossa população, para propôr novas politicas sociais e novos recursos, e novos modos de, sem recursos, se atingir o objectivo, ainda que de modo diferente.

Há que experimentar. Há que Reflectir sobre os vários modos de intervenção, e cada um de nós, enquanto interventor social ir adequando o seu trabalho aos recursos existentes, não se deixando nunca "queimar" com os fracos avanços observáveis.

Daí o nome deste Blog ser tão adequado, "Insistete Social".

Qual de nós (AS), não se revê imediatamente neste "trocadilho".

Ficam os votos, pelo bem da sociedade; força para continuarmos a insistir

Provocador Social disse...

Atão não, António Duarte!
A "fome" não é contagiosa, embora possa ser hereditária, logo não afecta da mesma maneira ricos e pobres.... Não será?
O Serviço Social, que não é só para "pobres", só deve perceber que as exclusões hoje em dia, também afectam, cada vez mais, estratos sociais que não se esperava. Mas, não deixa de ser exclusão... E porque será que a exclusão existe e se alarga? Interessante não é?

António Duarte disse...

Os problemas sociais não se resumem à pobreza e à fome.

Provocador Social disse...

Claro que não.... António Duarte, e há até problemas sociais mais interessantes uns que outros... tudo depende da nossa vocação e gosto e entendimento.
Mas, a pobreza, é um problema social digamos "menor", porque sempre houve ricos e pobres e até remediados, e isto das exclusões têm que se lhe diga ...
É como a toxicodependência que afecta ricos e pobres porém, as consequências são diferentes para os ricos e pobres ...
E também é diferente trabalhar com "ricos" a trabalhar com "pobres". Mas, há AS que não suportam terem de trabalhar só com pobres ... Não dá prestígio, nem tem visibilidade pública ... Venha lá um rico , para acompanhar psicossocialmente, fora das filas e marcações da Segurança Social, no contexto de um Hospital privado. YES!

António Duarte disse...

Se há AS que detestam trabalhar com pobres, então o melhor que têm a fazer é mudarem de profissão. Se há AS que detestam trabalhar com imigrantes, idem. Se há AS que detestam trabalhar com idosos, idem idem, aspas, aspas. Se há AS com um raio de acção limitado, então têm de fazer uma reciclagenzinha, se não estupidificam.