4.6.09

76% dos profissionais do ensino e saúde já lidaram com situações de risco

«Um estudo levado a cabo por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revela que profissionais de educação, serviços de saúde e outros (como por exemplo, polícias), ao longo da sua experiência profissional já lidaram com situações de risco – negligência, maus-tratos físicos e psicológicos, abusos sexuais, abandono e exploração do trabalho infantil.
A investigação realizou-se através de um inquérito a 200 profissionais da área que demonstrou que mais de dois terços dos profissionais foram chamados a intervir em casos de abuso. Segundo Miguel Ricou (orientador do trabalho) e Tânia Ramos (autora do estudo), isto implica que os mesmos deveriam estar dotados de técnicas específicas e de competências emocionais para saberem lidar com o fenómeno.
Os dados recolhidos junto da amostra revelam que a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens é a mais indicada, como responsável por solucionar os casos de ‘violência’. E prova-se que há um desconhecimento por parte dos profissionais com competência em matéria de infância em juventude que têm o dever de intervir neste âmbito, delegando nas comissões de protecção e nos tribunais este mesmo dever. Verifica-se que 62% dos profissionais encaminha imediatamente a situação de risco às autoridades que consideram mais competentes, sem procurar em tempo útil desencadear qualquer tipo de intervenção.
Cerca de 70% dos profissionais também desconhecem que existe uma lei de protecção de crianças e jovens. Os investigadores alertam que isto leva a questionar a forma como os profissionais orientam a sua prática, uma vez que não sabem quais as linhas legais que pautam estas situações.
Tendo em linha de conta os resultados do inquérito, os autores afirmam que o estudo torna claro que é necessário reestruturar os currículos académicos no sentido de incluir maior informação e formação nesta área. Sugerem mais cursos, workshops e seminários. Apesar da experiência ser fundamental para estes profissionais, é urgente a criação de orientações claras. Recorde-se que em Portugal, 100 crianças por dia são vítimas de maus-tratos.» Fonte: Ciência.pt

Pensando no repto, os assistentes sociais (com equipas multidisciplinares) poderiam assumir esta formação tão necesssária dirigida a profissionais interessados.

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