5.3.10

ideias para uma nova idade média

Hoje pela manhã ouvi estupefacta a proposta da CONFAP:

«A proposta visa que os pais recebam, através de regulamentos internos, a indicação das escolas de que se não comparecerem e não se responsabilizarem pelos seus filhos, poderão ter consequências no plano dos apoios que recebem, nomeadamente subsídios. Se os pais não tiverem esses subsídios, devem decretar trabalho social na própria escola, por exemplo, até chegar às multas. Tudo depende da situação económica», explicou Albino Almeida.

4 comentários:

Duarte disse...

Não acredito em radicalismos. Ideias radicais nunca deram bom resultado. Mas a comunicação social gosta de discursos destes, não gosta nem de sensatez, nem de discursos moderados e construtivos, e como há muita gente que percebe isso, junta-se a fome à vontade de comer, como é o caso. Espero que haja no governo sensatez suficiente. Se existe este problema, e se não se resume a uma minoria de situações, já que penso que carece de estudo, então a forma de ser atacado não é por esta via.

S Guadalupe disse...

O problema é que sempre que emergem situações graves, apontam-se espingardas para os alvos que já o são, de outras formas.
O mais curioso é a incapacidade das escolas em colocar-se a si mesmas em causa e tentarem criativamente propor soluções que estejam nelas mesmas. É muito fácil culpar as famílias por tudo, sobretudo as mais vulneráveis. Eu sempre aprendi que os "sintomas" se devem "tratar" no contexto onde se manifestam!

A proposta deste género de punição é ridícula. Depois, por serem as associações de pais a dizer tal coisa, faz-me lembrar os Alfas e os Betas do Huxley: pais A e pais B! Eu fiquei chocada e o mais chocante é não ter ouvido ninguém reagir a tal proposta até agora. Mas... não tenho tido tempo para ver notícias...

Manuel Moringa disse...

As palavras do Sr. Albino Almeida, por mais acertadas que pareçam para ele e para mais alguns,são as palavras de "parte de um sistema". Vou tentar explicitar. Quando algo acontece de dramático há logo a necessidade de apurar responsabilidades: do próprio(vitima), da família da escola?! Já assiti a discussões sobre a violência na escola e sobre a falta de aprendizagem.O contendores são sempre os mesmos. Os pais atacam os professores e os professores os pais.No fim acabam por atacar o Governo.É fácil atribuir a responsabilidade a alguém, quando esse alguém é o mais fraco. Contudo já vi na TV a família do jovem que se atirou ou rio a dizer que a escola não tem segurnaça nenhuma. Pois...
Sabemos que não é fácil explicar o que se passa na escola e nas nossas famílias...nossas famílias!? A interrogação é apenas para assinalar que a família enquanto estrutura social está a perder importância.Já quase não é uma estrtura de equilibrio económico, ou almofada para a crise económica, quase não existe enquanto mecanismo de socialização e educação. Então vejamos: que apoios ou de que regras beneficia a família quando tem que apoiar um membro doente? E quando tem que dar apoio a um recém-nascido que exige proximidade durante muito tempo. Os pais têm que se fazer á vida se querem comer. O patrão aplica bem o seu poder. O Estado está ao serviço de quem? Aqui neste aspecto conhecendo nós as teorias sobre o Estado sabemos que está ao serviço dos mais fortes. Nas eleições basta "enganar" os mais fracos para garantir a tal base social de sustentação ou legitimidade.
Não vale a pena pegar em teorias que explicam muito bem o que nos está a contecer. As palavras do Sr. Albino Almeida representa muito o sistema e a sua extensão aos pais "bem comportandos" que tem vergonha dos pais do RSI ou sem tempo para os filhos e que alegadamente não têm tempo para eles ou para compromissos com a Escola. Ninguém pergunta aos pais porque não participam mais nas actividades da Escola. São preguiçosos!? Parece que é essa a ideia que convém ao sistema. Afinal o sistema tem boas leis, não tem defeitos. Valha-nos DEUS.

S Guadalupe disse...

É que se chama por o dedo nas feridas, que são muitas...