4.9.08

ordens

Foi publicada a lei que cria a Ordem dos Psicólogos: Lei n.º 57/2008 de 4 de Setembro

8 comentários:

Duarte disse...

Enquanto a nossa não for criada (se é que vai ser), será interessante verificar até que ponto ter ordem representa eficácia na resolução dos grandes problemas de uma classe profissional que acabou de ver reconhecida a sua reinvidicação na criação daquela entidade.

S Guadalupe disse...

No mundo das "ordens" talvez seja o barómetro mais próximo, pois há muitas questões que se colocam, nomeadamente a regulamentação profissional... ainda assim, e, apesar de ser uma profissão bem mais jovem que a nossa, trilharam um caminho que os coloca num mundo um pouco diverso do nosso.

Ma atenção, este processo de criação da ordem foi admitido pelo parlamento sem submeter-se à nova lei, nomeadamente no que toca a algumas das exigências (estudo), já que o processo havia dado entrada anteriormente. O nosso também, mas com a diferença substâncial de que o processo dos psicólogos tinha já passado uma das instâncias. O nosso ficou esquecido no primeiro degrau e não avançou...

Duarte disse...

O que pretende dizer quando fala em mundo diverso do nosso? Fiquei curioso.

S Guadalupe disse...

Referia-me à massa crítica que criaram, às fronteiras que delimitaram académica e cientificamente, às representações sociais que têm, à presença nos mass media, etc... Outro exemplo é a pressão que exerceram e a organização internacional que montaram para defender a formação no processo de Bolonha. Claro que a nível profissional se deparam com problemas semelhantes aos nossos. Mas construiram o tal "mundo" que me parece mais consolidado do que o nosso. Era isso!

Duarte disse...

Eu parece-me é que cada vez mais o Serviço Social português é uma espécie de ilha no mundo do Serviço Social. Porque os exemplos que conheço a nível internacional, mostram classes profissionais mais organizadas, bem como, actuações mais regulamentadas. De qualquer forma, ponho em causa alguns dos pontos que indicou. A delimitação das fronteiras académicas e científicas é um pouco ilusória e também eles têm sofrido alguma erosão. Não se esqueça, no entanto, que a delimitação científica de que fala acontece de forma natural por serem uma profissão associada a uma ciência em particular. Nós possuímos uma situação mais híbrida, algo que não considero negativo, pelo contrário, foi aquilo que me atraiu para o Serviço Social, mas que admito possuir alguns contras. E aí entro na questão da mediatização, fenómeno que por si só não considero positivo, pois há muitos tipos de mediatização, alguns deles conduzentes à banalização. Há-de raparar que actualmente chamam psicólogos para falar de tudo, até do que não sabem. Ora isso conduzirá inevitavelmente a uma banalização e caricaturização da sua imagem. Há depois outro fenómeno: os media convidam sociólogos e nalguns casos até psicólogos, para participarem em debates sobre problemáticas sociais. Já assisti ao ridículo de fazerem programas sobre o RSI, sem ter um único assistente social (!). Os media associam o "social" à Sociologia devido a ser a ciência principal no estudo da sociedade. Não percebem é que depois há um desfazamento entre o saber-saber e o saber-fazer. Pegando no exemplo do RSI, que experiência prática possui um sociólogo, quando as equipas de RSI não os contemplam como elementos, e na esmagadora maioria dos serviços da segurança social não trabalham sociólogos. E além disso, estudos todos fazem, não pode ser por esse argumento que nunca convidam assistentes sociais. No global, não considero que possuam uma situação mais conforável do que a nossa, e a empregabilidade tem-no demonstrado, apesar da crise.

S Guadalupe disse...

Quando falei na delimitação de fronteiras académicas e científicas, reportava-me ao mundo da investigação, por defeito profissional.

A mediatização, concordo consigo, não é positiva em si mesma, claro... mas como dizia o outro "falem de mim, mesmo que seja mal" (ou algo longinquamente parecido com isto, perdão... ando "taralhoca"). Já me ri à fartazana de alguns experts que ouvi, a dissertarem sobre coisa nenhuma. Mas esta mediatização tem tido também os seus aspectos muito positivos e já nos deu a conhecer gente muito interessante, para além de dar a conhecer um a profissão e as suas actualizações.

Claro que no plano profissional a situação é bem menos cor-de-rosa e até no plano da formação académica, pois foram um dos cursos que também surgiu tipo cogumelos.

São situações diferentes, com as suas singularidades.

Permita-me discordar da tendência para olharmos as outras realidades como melhores (estou a referir-me ao SS noutros países). Não me parece nada que seja assim. Pode haver algumas excepções à regra, mas a regra é muito mais semelhante à nossa situação do que poderá pensar, pelo menos no que me é dado a conhecer.

Nalguns países há dinâmicas recentes, muito recentes, e interessantes, nomeadamente na vizinha espanha, mas não se esqueça que o curso até há muito poucos anos, era técnico e isso diz muito da forma como se equaciona esta profissão. Em França idem.

Acho que podemos fazer muito mais do que o que tem sido feito, mas digo-lhe que não é nada fácil dar a volta. Há que repensar estratégias, para tentar estar mais presente como "opinion makers" e também como participantes activos na (re)definição das políticas sociais, estar presente nas instâncias de poder, etc. Há todo um caminho, que tem de ser traçado necessariamente. Como sabe, concordo consigo no essencial quanto ao que é necessário fazer. Os problemas são outros.

Duarte disse...

Uma das coisas que penso que ajuda é promover mais momentos de debate dentro da classe. É preciso pôr as pessoas a falar umas com as outras. Realizar mais seminários, congressos, o que se queira chamar, pois a nossa classe vive muito dispersa e contactamos pouco uns com os outros, partilhamos pouco. Noto as delegações da APSS muito apáticas e sem isso é difícil mobilizar a classe em cada região. Falo pelo menos do que conheço. Outrora sugeri que a APSS começasse a tomar posições junto dos media acerca de temáticas da actualidade, quem sabe até nomear um ou mais porta-vozes. Embora também seja verdade que a actual situação da APSS em que coisas básicas não estão asseguradas, dificulta tudo o resto.

Rita disse...

A prepósito de ordem: sabem dizer-me se o estudo necessário foi já "encomendado"?

Rita