indigna-me...
Foto: La precarité (Gilbert Garcin)...ouvir alguém responsável (??) sugerir que os beneficiários do RSI são uma cambada de preguiçosos que não quer trabalhar (a expressão é minha, pois não decorei as palavras exactas que Nuno Melo pronunciou, e serve para sublinhar a sugestão que me repugna!).
Ouvimos coisas deste género frequentemente, normalmente conectadas com uma certa visão política do mundo que não partilho mas que tento respeitar democraticamente, pelo que me escuso a abordar neste blog aspectos vinculados politico-partidariamente. No entanto, tal situação não tem a ver com uma questão politico-partidária, apesar de quem disse o que me indignou ser um dirigente partidário, mas antes com uma visão sobre a sociedade que repugno e que vai contra os valores que defendo e pelos quais me bato.
A afirmação (ou sugestão) revela uma ignorância atroz da realidade (2 em cada 3 pobres trabalham! e continuam pobres), revela uma enorme falta de respeito por uma (infelizmente) ampla camada da população (5 em 20% da população), ainda para mais numa época em que sobe exponencialmente o desemprego e em que sobram poucas alternativas aos que trabalha(va)m e querem trabalhar. Estas pessoas não têm voz, ao contrário desse senhor que a usa desta forma. É na defesa dos que se vêem numa situação de pobreza, dos oprimidos, excluídos e sem voz que aqui coloco a minha indignação! Valha o que valer, andei a mastigar uns dias em seco mas não consigo calar!
Ouvimos coisas deste género frequentemente, normalmente conectadas com uma certa visão política do mundo que não partilho mas que tento respeitar democraticamente, pelo que me escuso a abordar neste blog aspectos vinculados politico-partidariamente. No entanto, tal situação não tem a ver com uma questão politico-partidária, apesar de quem disse o que me indignou ser um dirigente partidário, mas antes com uma visão sobre a sociedade que repugno e que vai contra os valores que defendo e pelos quais me bato.
A afirmação (ou sugestão) revela uma ignorância atroz da realidade (2 em cada 3 pobres trabalham! e continuam pobres), revela uma enorme falta de respeito por uma (infelizmente) ampla camada da população (5 em 20% da população), ainda para mais numa época em que sobe exponencialmente o desemprego e em que sobram poucas alternativas aos que trabalha(va)m e querem trabalhar. Estas pessoas não têm voz, ao contrário desse senhor que a usa desta forma. É na defesa dos que se vêem numa situação de pobreza, dos oprimidos, excluídos e sem voz que aqui coloco a minha indignação! Valha o que valer, andei a mastigar uns dias em seco mas não consigo calar!

6 comentários:
Mas infelizmente há muita gente que não quer mesmo trabalhar e apenas viver dos subsídios! Isso é uma verdade!
Liliana,
Na regra há sempre excepção, como sabe. Não é o caso x ou y que está em causa... é a fundamentação de tal sugestão que coloca em causa muita gente que não deve ser colocada nesse saco! É nosso dever quebrar o preconceito e ver para além de... e propor (de forma muito bem sustentada) medidas para ultrapassar a situação...
O único partido que fala do RSI dessa maneira tem sido, desde a criação da medida, o CDS-PP. Felizmente que tem sido uma voz minoritária no espectro partidário e que revela a linha populista e ultraconservadora que aquele partido tem seguido e que, talvez por isso, lhe tem valido o último lugar na maioria dos diversos actos eleitorais. Quando formou governo com o PSD, foi o CDS-PP que introduziu alterações que transformaram o RMG em RSI, alterações que não se ficaram pelo nome - que aliás até considero mais adequado - mas que mexeram no seu conteúdo, tornando o RSI, durante algum tempo, uma medida quase impraticável. A questão, por exemplo, da contabilização dos rendimentos na fase do requerimento, foi bem exemplo disso. Mas o que o CDS-PP deveria explicar é que alternativa tem para o fim do RSI. Isso ainda não disseram. Acabar com o RSI resolve alguma coisa? Resolve a situação da pobreza em Portugal? O que é que resolve? É verdade que o impacto do RSI na resolução da pobreza não é líquido, dado que o problema da pobreza em Portugal tem a ver em primeiro lugar com a estrutura da sua economia e é por isso que tantos trabalhadores precisam de recorrer a apoios do estado. Estamos a falar de um salário mínimo de apenas 450€ e de pensões de 180€. Aqui é que está o problema. Também é verdade que existem casos de fraude no RSI. Mas existem no RSI tal como existem no IRS, nas reformas por invalidez, nas baixas médicas, etc. Então será que o CDS-PP também vai propor acabar com essas medidas também? E porque não se fala dos casos de sucesso? Daqueles que por intermédio do RSI conseguiram melhorar a sua inserção social, autonomizando-se? Em que foi possível dotar pessoas de mais competências sociais e educacionais, que foi possível promover a saúde, estilos de vida, resolver vergonhas habitacionais, etc. Claro que há falhas, mas para isso há que continuar a trabalhar para melhorar a medida. Acabar com ela, nada resolve, pelo contrário. Acabar com o RSI representaria um retrocesso em matéria de política social. O RSI trouxe inovação à intervenção social e trouxe novos instrumentos. Para minimzar as fraudes, há que agilizar alguns procedimentos, há que criar equipas em que não haja uma sobrecarga de casos por cada técnico, há que promover os NLI's, há que melhorar os mecanismos de fiscalização e aumentar as equipas que o fazem, há que melhorar a articulação entre a segurança social e as finanças, etc. Generalizar é perigoso e para um partido político é algo de irresponsável.
Gostava de ter esse senhor uma semana a trabalhar comigo... a visitar as ruas das aldeias em vez das avenidas limpas e solarengas!!
Gostava especialmente que esse senhor se mudasse por algum tempo para o concelho onde trabalho. Que vestisse a pele de alguém que não tem carta de condução, que só tem transportes públicos duas vezes por semana E quando há aulas, senão é só uma vez por semana. Que vestisse roupa rota em vez de fatos de marca e pegasse numa enxada em vez de pegar na bandeirola que tão orgulhoso passeia pelas ruas!!
IGNORÂNCIA é o termo exacto! Falam mas não sabem o que dizem!!
Não sabem o que é a medida, aposto que nem sabem qual o valor a atribuir a um indivíduo isolado. Não sabem como se atribui,como se processa o acompanhamento... enfim...
Sabem andar bem vestidos e bem calçados, com bons carros e bons salários... tudo o que for além disso é difícil de entender!!
REVOLTADA é como me sinto quando ouço e leio estas coisas!!
Há uns meses esbarrei com o programa da júlia pinheiro da TVI e até fiquei espantada: estavam lá ex-beneficiários a dar o seu testemunho pela positiva. Estava lá também o Edmundo Martinho, se não me engano...
As tiradas populistas não me surpeendem, vindas de quem vem (faz sentido, são confirmatórias), mas revelam ignorância, irresponsabilidade e desrespeito.
Estamos entregues aos bichos, como se diz na gíria... Ou, noutra concepção, diz o roto do mal remendado (já que à classe política também se podem aplicar as mesmas premissas!).
Caros colegas
O RSI é uma prestação de direito em qualquer pais/sociedade civilizada que respeite a dignidade humana, porque?, porque não chega para mais.Pois é estamos a falar simplesmente de manter a dignidade, como por exemplo não morrer a fome ou andar vestido e não nu.
Considero-me uma pessoa calma, mas digo-vos às vezes já me começa a faltar a paciência quando se houve pessoas com responsabilidades politicas criticarem uma "esmola uns trocos" que dão a alguém para comer, e não se perder tempo a falar de paraisos fiscais, off shores, iates milionários, luxos excêntricos bem, como diz a colega Guadalupe já estou a mastigar em seco de maneira que me vou calar.
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