repercussões
Família em greve de fome por criança de três anos em vias de ser adoptada
Não questionando os casos que têm vindo à praça pública, pois poucos contornos lhes conheço e não considero que a protecção de menores tome decisões de ânimo leve, antes pelo contrário... os últimos tempos colocam questões relevantes a nível da opinião pública e presumem representações sociais na acção dos actores implicados difíceis de desincrustar... A minha opinião geral, não muito fundamentada pois nunca foi um campo que houvesse aprofundado, é a de que as famílias podem ter uma "segunda oportunidade", depois de um plano de intervenção devidamente estruturado, mas, sobretudo, penso que as crianças não podem ver adiados os seus projectos de vida à espera de que as suas famílias de origem se reestruturem. Como se pesam estes factores? Que tempo pode ser contemplado? Não sei! São questões breves com mas demasiado complexas para respostas lineares ou receituários. Mas... nunca ninguém disse que ser assistente social ou juíz era fácil!

2 comentários:
Todas as semanas (se não todos os dias) são tomadas inúmeras medidas de protecção a crianças e jovens que salvaguardam a sua vida. Inúmeras vezes estamos perante decisões que salvam vidas e parece que a opinião pública ainda não percebeu isso. Quando estamos na eminência de tomar decisões com esta delicadeza, analisamos e reanalisamos até à exaustão cada caso e mesmo assim corremos o risco de tomar decisões que podem não ser as melhores. Isto é inevitável, pois dada a complexidade destas situações, é impossível ter 100% de certezas. As dúvidas subsistem sempre, mas chegamos a uma altura que somos obrigados a decidir. E muitas vezes nem tivemos o tempo nem as condições adequadas para estudar o suficiente. Só que estamos numa sociedade a que eu gosto de apelidar de "sociedade medicalizada", porque há uma certa tendência para considerar que para cada problema há logo uma cura "ali ao lado". Ora no social estamos longe de podermos actuar dessa maneira. As pessoas ainda não perceberam que muito do papel do assistente social passa por ligar pontas desconexas de políticas sociais e sectoriais para que se consiga dar uma resposta minimamente adequada às situações que os cidadãos nos trazem todos os dias. Nesta área tão complexa dos menores em risco, decisões erradas acontecerão sempre e é importante que se perceba que a razão para isso não está, tirando as excepções que confirmam a regra, na competência dos profissionais, mas na natureza das situações. Na minha experiência profissional, quantas vezes não estive em reuniões de discussão de casos, em que se levou uma manhã ou tarde inteiras a discutir um só caso, tal era a delicadeza do mesmo e a necessidade inevitável de ter de se tomar uma decisão.
É, de facto, uma área complexa por excelência e de enorme responsabilidade.
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