13.3.11

uma discussão por fazer

"(...) Uma tal dicotomização não deixava de obedecer a uma visão estereotipada e demasiado simplista dos assistentes sociais e é responsável por posicionamentos equivocados ainda hoje presentes nos profissionais, que desvalorizam e se sentem desconfortáveis com certas práticas de carácter assistencial e paliativo, como sendo fruto de uma visão passadista e conservadora da profissão. Ora, como é sabido, até pela crescente densidade problemática das situações profissionais que hoje se apresentam ao Assistente Social, muitas vezes não é possível, pelo menos num primeiro momento, realizar outro trabalho que não seja de natureza paliativa ou assistencial, sendo esse aquele que cumpre uma função social mais evidente. Por natureza, a um trabalho deste tipo não deverá ser atribuída uma carga necessariamente negativa, mas antes será mais procedente uma discussão e clarificação do lugar que deve ocupar no âmbito do desempenho profissional. (...)"

4 comentários:

social support_1 disse...

gjb

Duarte disse...

Cara Sónia, se fosse só esta a discussão que faltasse fazer no Serviço Social cá do burgo, não estariamos mal. O problema é que falta discutir tudo porque pura e simplesmente não há discussão. Temos uma classe amorfa, salvo as honrosas excepções, que aliás de classe, tendo em conta o que significa o conceito de classe profissional, tem muito pouco. Começamos na velha "estória" da designação da profissão e vamos por aí fora, porque de facto não se discute nada. Mas quanto ao tema aqui trazido, é uma questão muito importante porque a sua discussão ajuda a balizar a intervenção do assistente social. No curso aprendi que o assistencialismo correspondia a uma etapa do processo de intervenção, cuja dimensão variava consoante a problemática. Em quase todas as situações, temos mesmo que começar pelo assistencialismo. Depois, há problemáticas que exigem ir mais além, no sentido do empowerment e da capacitação. É o caso da generalidade das situações que se colocam no âmbito do RSI. Ora aqui está um bom exemplo para se discutir esta questão. De facto, no RSI só assistencialismo não chega, nem é desejável, sob pena de desacreditar a medida e não a utilizarmos correctamente. Já em áreas como a da saúde, muitas vezes o nosso trabalho tem de ser acima de tudo assistencial, pois fragilização social associada à fragilização da saúde, leva-nos a isso. Agora, não há que diabolizar o termo assistencialismo, o que de resto está na base do abandono de muitos colegas do nome "Assistente Social" para "Técnico de Serviço Social", o que está totalmente errado e apenas revela uma falta de reflexão e de contextualização das práticas, bem como, de uma conceptualização simplista do que é o Serviço Social.

S Guadalupe disse...

Duarte, como sempre me habituou, foi ao ponto focal.
Concordo.
MAS, a discussão também se faz no que se escreve e como se rebatem e esgrimem argumentos. Outro problema é que poucos lêm o (POUCO) que se escreve.
Seriam temas muito interessantes para debater. Este artigo da Inês Amaro é muito rico. A autora não se inibe de colocar os dedos nas feridas.
E há outros assim.

Como já disse várias vezes, espero que se dê um salto quanti-qualitativo neste processo todo. URGE.

S Guadalupe disse...

Duarte, a Inês fala precisamente da designação da profissão nas páginas 39 (3º parágrafo) e 40. Aconselho a leitura.