24.1.10

as catástrofes atingem todos de forma igual?

A mais recente catástrofe no Haiti, tem-me feito pensar sucessivamente que nem as catástrofes que, supostamente não olham a quem, interrompem as lógicas de desigualdade, nem as leituras profundamente inscritas na lógica capitalista. Será que não seria de as interromper?
Pequenos apontamentos para pensarmos alto:
a) No mais básico, quem tem uma habitação mais sólida e mais condigna tem maior hipótese de sobrevida.
b) Quem detém poder e capital é evacuado para outras zonas e outros países até, sendo assistido. Do ponto de vista humano, que é o que somos, que maior valor terá um presidente ou um jornalista português que sofre um traumatismo, face a qualquer outro sujeito ferido que teve a (má) sorte de nascer pobre e com aquela nacionalidade?
c) Porque razão os jornalistas evocam o "caos" e a necessidade de forças que estabeleçam a "ordem"? Que ordem se pretende na desordem de uma catástrofe? Que ordem se pretenda que exista?
d) Porque se considera que existem pilhagens? Pilhagens?! Será que faz sentido, numa situação de catástrofe,  manter a ideia de propriedade tal como o sistema capitalista a conhece? Se eu estivesse naquela situação, e tivesse à mão a resposta para a minha necessidade básica de comer e beber (um supermercado destruído, p.ex.), ainda me teria de sentir a roubar? Roubar o quê, de quem?
e) ...muito mais alíneas haveria a acrescentar...
Será que tudo isto faz sentido para alguém?
Será que somos capazes de pensar de outra forma, como simples seres humanos, nem que seja momentaneamente?
Confesso que tudo isto me tem feito muita confusão...

5 comentários:

carrocelvoador disse...

Estas questoes assombram todos aqueles que não ficam indiferentes a uma situação de catastrofe como esta. A lógica capitalista está de tal forma enraizada no Homem, que os valores ficaram sempre em segundo plano. Haverá sempre a dualidade: Poder VS Valores.
Do ponto de vista humano e de acordo com os valores que grande parte de nós defende, as pessoas devem ser tratadas de forma igual, o tal direito de igualdade de oportunidades, de respeito, entre muitos outros, mas na hora da verdade muitas vezes isto nao acontece, e temos isso bem presente com esta situação, quem é que foi transportado para fora do país? e quem continua no pais? Depois é muito fácil falar em "desordem" e "pilhagem" quando impera a lei da sobrevivência. É tão mais fácil rotular ou marginalizar em vez de fazermos o esforço de nos colocarmos no lugar do outro. Numa situação destas deve-se chamar os outros de "ladrões" e se fossemos nós ou aqueles brilhantes jornalistas que nos brindam com estes termos injuriosos?
Ainda no outro dia estava a assistir a uma reportagem, já nao me lembro em que canal foi e a estúpida da jornalista, que sinceramente não lhe consigo atribuir um nome mais simpático, perguntou a um senhor, que estava "internado", pela família dele, e ele disse que eles tinham morrido, que tinha perdido toda a gente, estava bastante emocionado e a excelência voltou a perguntar qualquer coisa relacionada com a morte deles e o homem nao respondeu, mas mesmo assim não teve a consciência do que estava a fazer e insistiu para que o senhor falasse deixando ainda um ou dois minutos o microfone para eles se manifestar. As televisoes passam cada barbaridade que enfim...

Duarte disse...

Segundo a agência Lusa, uma das contrapartidas para o CDS-PP aprovar o Orçamento de Estado foi "o corte no «rendimento mínimo» para aumentar 7 euros as pensões mais baixas". Portanto, a montanha pariu um rato. O CDS-PP acha que aumentar 7 euros as pensões mais baixas (a pensão social é de 187€) é uma solução. Perante isto, acho que já não critico o CSI... Será que Paulo Portas sabe qual é o valor médio atribuído a cada beneficiário do RSI? Se sabe, então que experimente viver com esse valor ou com o valor da pensão social. Meta-lhe os tais 7 euros e tire as suas conclusões. Mas o pior é o PS ir atrás desta conversa.

S Guadalupe disse...

Que gentalha esta... ainda não vi nada sobre isso.

O RSI é a prestação social com MENOR fraude... e perseguem-se os pobres. Culpabilizam-se porque são pobres. A ideia de que os pobres são pobres porque são preguiçosos é das mais abjectas que existem... e domina!

Rita disse...

Ainda não tinha ouvido nada a esse respeito, mas não me surpreende. Ontem fiquei com as "orelhas em pé" quando vi que o Sr. Paulo Portas se ia manifestar relativamente ao orçamento de Estado e achei estranho ele não falar do dito "rendimento mínimo"! Em primeiro, acho lamentável que ainda ninguém lhe tenha explicado que o rendimento mínimo e tudo aquilo que o envolvia já lá vai há alguns anitos. Depois, tenho sérias dúvidas que este senhor que provavelmente vive com um valor infinitamente superior ao da pensão social saiba de que forma funciona o RSI, qual o acompanhamento realizado junto das famílias, e quais os números relativos à celebração de acordos (outra coisa que o Sr. deve desconhecer) e ao seu efectivo cumprimento.
Choca-me ouvir uma pessoa que clama tanto pela igualdade e justiça entre os mais desfavorecidos falar com total desconhecimento de uma prestação social que já mudou para melhor tantas e tantas vidas!
Atacar os mais indefesos é mais fácil e mais eficaz... mexer nos grandes dá mais trabalho, não é??

Duarte disse...

A esmola do Dr. Paulo Portas são 7€. Está tudo dito.